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AS DUAS ONDAS NA GESTÃO DE PROJETOS

 

Marly Monteiro de Carvalho e Roque Rabechini Jr.

 

A área de Gestão de Projetos tem assumido maior importância nas empresas, as quais têm passado por um processo de transformação, organizando-se para poder dar respostas eficazes e ágeis às questões ambientais e organizacionais. Além disto, também pelo lado do profissional tem havido uma procura pela área de projeto, sendo que o número de profissionais certificados nesta área tem crescido, passando do expressivo número de 72 mil, em 2004, pegando-se apenas uma das certificações internacionais disponíveis a de PMP.

Na década de 90 houve uma forte retomada em gerenciamento de projetos no Brasil e no mundo e, essa retomada pode ser vista em formas de ondas. A primeira onda proporcionou maior eficiência pela adoção de boas práticas de gerenciamento de projetos. Nesta onda, proliferaram os cursos de treinamentos fundamentais, aumentaram os incentivos à utilização de softwares, a atenção às informações do projeto, a concentração na gestão do escopo e o acompanhamento de prazos e custos pelo uso de cronogramas físico/financeiro. Nestes aspectos, o gerenciamento de projetos proporcionou maior eficiência às empresas, ajudando-as, com técnicas e práticas, no desenvolvimento de seus empreendimentos, ou seja, fazendo de forma correta as coisas.

No Brasil, as grandes empresas de tecnologia têm investido na formação de profissionais especializados em gestão de projetos. As empresas que possuem maior número de gerentes de projetos certificados pelo PMI - Project Management Institute, no Brasil são:  a IBM, Unisys, HP, EDS, CPqD, Ericsson, Petrobras, Telefônica entre outras.... Estas empresas em geral têm cursos de treinamento in company, além de pagar a primeira tentativa de aprovação no exame do PMI.

Mas, isto tudo, ainda é pouco, as empresas agora precisam de um gerenciamento de projetos profissional, sobretudo, para conseguir atingir seus resultados mais rapidamente. A primeira onda criou o caldo de cultura necessário para o surgimento da segunda onda, que é a gestão de projetos em âmbito organizacional. O desenho da segunda onda em gerenciamento de projetos, além de cumprir os requisitos da primeira, deverá produzir mais resultados: ser mais eficaz! Nesta direção, o gerenciamento de projetos, para poder se apresentar de forma mais profissional, precisa ser desenvolvido com mais criatividade.

A segunda onda deve levar em conta, definitivamente, a integração das áreas de conhecimento. Enquanto, na primeira onda os gerentes de projetos aprenderam a desenvolver seus empreendimentos administrando isoladamente prazos, custos e qualidade, na segunda onda é necessário, por exemplo, criar uma programação de acordo com as disponibilidades de recursos e viabilizar cronogramas de desembolso condizente com a realidade das empresas.

Algumas áreas de conhecimento devem e podem ser mais aprimoradas, como é o caso do gerenciamento de riscos em projetos. O uso de técnicas de simulação, por exemplo, bastante explorada pelo pessoal de riscos, ainda é pouco difundida e explorada pelos gerentes de projetos. Estas técnicas quando utilizadas de maneira plena ajudam a configurar a administração em outras áreas do conhecimento. As incertezas nos projetos são muitas e minimizá-las é uma tarefa que, ainda poucos gerentes, o fazem.

O gerenciamento da carteira de projetos irá dar uma grande contribuição aos dirigentes das empresas. Com um exame bem detalhado nas intenções que surgem continuamente nas empresas é possível traçar planos estratégicos permanentes, gerando projetos mais especiais que os concorrentes. O incentivo à inovação, certamente, irá gerar projetos mais desafiadores e, com isto, deverá proporcionar mais competitividade à empresa.

A segunda onda deverá também vislumbrar o crescimento das competências e maturidade em gerenciamento de projetos. Se na primeira onda os diagnósticos foram os destaques, na segunda onda a implementação de planos consistentes e coerentes deve a grande prioridade. Muitas empresas perderam a primeira onda e estão agora correndo para alcançar suas concorrentes em eficiência. Não surfar na segunda onda, nesta lógica, significa ser menos eficaz e, o que pode implicar em perda de posições de mercado.

 

Marly Monteiro de Carvalho, doutora e mestre em Engenharia de Produção da POLI-USP e  membro da diretora da Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO); e Roque Rabechini Jr. é pós-doutorando pela FEA/USP e doutor em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Voltar