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EXPORTAÇÃO EM ALTA IMPULSIONA CERTIFICAÇÃO

Paula Felix Palma

 



Os sucessivos recordes batidos pela balança comercial aqueceram o mercado das empresas e instituições certificadoras de produtos que são exportados. Os segmentos de carne, soja e café além de produtos industrializados como veículos e softwares têm tido destaque nas vendas externas e um dos motivos é a certificação, que funciona como garantia de qualidade e fazem com que os produtos tenham mais visibilidade e mais confiabilidade no mercado de exportação.
Segundo o diretor executivo do Integrated System Diagnostics Brasil (ISD Brasil) , Carlos Alberto Caram — uma das primeiras consultorias internacionais a atuar de forma direta na América do Sul com foco exclusivo em qualidade de processos e que certifica a capacidade de desenvolvimento de softwares — apesar de não ser obrigatória, a certificação torna-se imprescindível para a entrada do produto no mercado internacional e é motivador investir nesse tipo de processo. Em cinco anos, as certificações cresceram a um ritmo de 30% ano e para 2006 espera-se um crescimento de até 50%, já que há uma continuidade na evolução das empresas e um aumento da disseminação dos conceitos. “Não é suficiente que o produto e serviço sejam de qualidade. É necessário que também eles sejam percebidos dessa forma”, afirmou Caram. No caso dos softwares, o que se vende não é um produto, mas sim um projeto, ou seja, algo ainda intangível e não desenvolvido. “Se a empresa tem um grau alto de certificação, significa que ela está investindo nos processos e tem menores riscos”.
Os modelos e normas utilizadas são reconhecidos internacionalmente, aprovados e publicados pela norte-americana Software Engineering Institute (SEI), que cria modelos, certifica e credencia avaliadores. Entre eles o mais utilizado é o Capability Maturity Model Integrated (CMMI), que desde janeiro deste ano substituiu o Capability Maturity Model (CMM). Hoje são 5 mil empresas de desenvolvimento de softwares no Brasil e em 2005, o segmento de exportação de produtos e serviços de Tecnologia da Informação (TI) somaram US$ 300 milhões. A expectativa do governo é de que até 2007 possa atingir US$ 2 bilhões em exportações, o que, segundo Caram, mostra a necessidade de investimento em certificação para ampliação desse mercado.
O segmento de cafés especiais, que têm um processo produtivo e qualidade superiores ao tradicional — e que tem aumentado sua participação no mercado mundial, com incremento de 10% no consumo em relação ao ano passado —, também está buscando a certificação para explorar mais o mercado externo. Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais , Henrique Cambraia — que faz a certificação do produto —, do ano passado para cá, houve aumento de 50% na procura dos produtores para a certificação e a expectativa para este ano é de aumento de pelo menos 15%. “As certificações são garantias da qualidade do produto, de que serão seguidas as regras sociais do país e as regras ambientais”, disse Cambraia. Ele afirmou ainda que os processos produtivos e a gestão da fazenda, conseqüentemente, têm uma melhora significativa. Nos últimos 15 anos, a produção de cafés especiais aumentou muito e as certificações passaram de sete em 1991 para 52 hoje, e mais 14 estão com o processo em andamento.
Existem dois processos de certificação para o café especial, que consiste na classificação do processo produtivo, em que é avaliado o perfil do produtor, capacidade gerencial, dentre outros 165 itens, além do certificado Brazil Specialty Coffe Association (BSCA), que analisa a consistência e qualidade do produto e deve ser refeito para cada lote exportado. “Os cafés são provados numa metodologia internacional de qualidade, o Cup of Excellence. Em 2005, a ABCE certificou cerca de 50 mil sacas do café especial.
Para o setor automotivo, em que todas as montadoras exportam, a certificação também é essencial. De acordo com o superintendente do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), Mário Guitti, as certificações cresceram na mesma proporção da indústria automotiva, que de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) foi de 10,7% em relação a 2004. O IQA certifica hoje 15 mil produtos e 500 empresas, para seus sistemas de gestão.“Os mercados são exigentes. É um ato voluntário, mas se você quer entrar no mercado, é preciso ter a certificação e hoje, todas as empresas se mantém com exportação”, afirmou Guitti, complementando que as montadoras também exigem esses processos de padrão de qualidade de seus fornecedores.
Além disso, o IQA busca reconhecimento dos países e as conseqüentes normas da legislação vigente. “Temos que saber para qual mercado o produto será vendido”, afirmou o executivo. Na Comunidade Européia, por exemplo, há uma série de exigências de segurança, emissão e reciclagem.
No setor de carnes, os pecuaristas estão aguardando a decisão do Governo para a alteração na certificação. Até o final do mês, o ministério da Agricultura irá divulgar a aprovação de uma proposta de alteração do Sisbov — que é um tipo de certificação oficial, mas não obrigatória — que vai atestar também a propriedade como exportadora, fazendo com que todos os animais da fazenda sejam certificados. Essa norma pode começar a vigorar em fevereiro e o setor terá até o final do ano para se adaptar. Por esse motivo, segundo o diretor da Organização Internacional Agropecuária (OIA Brasil), José Amaral Neto, não é possível traçar uma meta de certificação para este ano. Hoje são 33 milhões de animais certificados e em 2005, a média mensal foi de 1 milhão de animais analisados. Para cada tipo de mercado, segundo Neto, existe uma exigência diferenciada. O EurepGap, por exemplo — que é um protocolo de boas práticas agrícolas parte de uma exigência de supermercados europeus. O protocolo é considerado um código de conduta e já é adotado para a certificação e englobam o cuidado com o meio ambiente, responsabilidade social e segurança alimentar. Mas o Brasil adotou como padrão a rastreabilidade — em que se sabe a origem do animal — para todos os destinos de exportação, principalmente pelos circuitos de aftosa que existe no Mato Grosso do Sul e a suspeita no Paraná.


Fonte: Jornal DCI

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