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CÚPULA REPETE PROMESSAS E ADIA AÇÕES PARA 2015

A Conferência das ONU sobre Desenvolvimento Sustentável terminou exatamente como começara: num tom melancólico e sem surpresas.

Num mundo vitimado pela crise econômica, os 114 líderes reunidos no Riocentro contentaram-se em repetir as promessas feitas em 1992 e adiar de novo ações que a ciência aponta como urgentes.

Aprovaram um documento de 53 páginas, “O Futuro que Queremos”, que, diante da falta de perspectiva de consenso em temas como financiamento, acabou desidratado pelo país anfitrião.

Foi fechado três dias antes do encerramento e amplamente criticado em todo o período.

Data mágica – O texto fixa o ano de 2015 como nova data mágica da sustentabilidade global. É quando deverão entrar em vigor os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ideia lançada no Rio e que deverá ganhar definições de temas e metas a partir de 2013.

Os objetivos são o principal processo internacional lançado pela Rio+20, que também prometeu adotar um programa de dez anos para rever os padrões de produção e consumo da humanidade.

Outras decisões esperadas, como um mecanismo de financiamento ao desenvolvimento sustentável e um acordo sobre a proteção do alto-mar, ficaram para depois.

“Se você quer uma imagem, é como trocar as cadeiras de lugar no Titanic”, disse Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace, fazendo um balanço da reunião.

A presidente Dilma Rousseff, que encerrou a conferência ontem à noite, disse que a Rio+20 é “um ponto de partida e não ponto de chegada”.

Para ela, o documento foi o possível, mas “é óbvio que não atende” à prática brasileira. “Não posso medir todos os países com a medida do Brasil. O multilateralismo se respeita. Pode querer diferente, mas se não deu, não pode criticar [o consenso].”

O secretário-geral da conferência, Sha Zukang, afirmou que parte do legado da Rio+20 são os compromissos voluntários firmados entre setor privado, governos e sociedade civil. Segundo ele, foram registrados 692 acordos, que irão direcionar R$ 1,6 trilhões ao desenvolvimento sustentável nos próximos dez anos.

A maior parte dos recursos virá de oito bancos de desenvolvimento, que se comprometeram a destinar R$ 350 bilhões a projetos sustentáveis de transporte na Ásia, na América Latina e na África.

O coordenador-executivo da Rio+20, Brice Lalonde, comparou este documento final com o da Eco-92.

“Embora não pareça tão espetacular como o de 92, o resultado hoje talvez seja mais sério, porque nem tudo que foi acordado em 92 foi implementado”, disse.

Sha, porém, lançou uma nota de cautela, lembrando que os compromissos assumidos pelos países na cúpula de Copenhague, em 2009, não foram cumpridos até hoje. (Fonte: Folha.com)



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